Furyo

Fury o cidental – Furi a cidental

JANEIRO, 2019

O sopro, conta o mito de origem, foi o instante preciso em que nos tornamos humanos. O que era apenas matéria inerte, inócua, ausente em tempo e espaço, desprovida de qualquer significação, moldada apenas aos desígnios de um criador à sua imagem e semelhança, foi preenchida de vida e de sentidos. Porém, involucrados e impregnados dessa humanidade, nunca mais nos foi possível desnudarmos. O corpo assim se impôs a transformar-se incessantemente, tornando-se espectro e representação de si e de outrem.

Todavia, mesmo quando supostamente despido, permaneceu e se perpetuou vestido, como que em uma maldição do cotidiano. Regressar à matéria-prima criadora, desvencilhar da pele em que habitamos e buscar a plenitude da nudez, é apenas o começo de um perscrutar às avessas das questões intrínsecas ao corpo. Distanciar-se de suas origens e padrões culturais, suas historicidades, formas e funções básicas e buscar novos diálogos a partir de uma nudez transfigurada, que brota de sua própria vontade e se impõe pelas imperfeições e incertezas.

Este projeto está em fase piloto, conceitualmente pronto para as tomadas das imagens, muito em breve começaram os trabalhos.